O mapa eleitoral brasileiro para as eleições presidenciais de outubro de 2026 ganhou contornos ainda mais nítidos nesta quinta-feira, com a divulgação da mais recente rodada de pesquisas estaduais do instituto Quaest, levantamento que mapeou as intenções de voto em primeiro turno nos dez maiores colégios eleitorais do país, responsáveis por mais de 70% do total de votos válidos em uma eleição presidencial. Os dados revelam uma disputa que, ao contrário do que a polarização nacional poderia sugerir, apresenta nuances regionais significativas: Flávio Bolsonaro, do PL, lidera em cinco estados, incluindo São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil; Lula mantém vantagem em quatro estados do Nordeste e do Norte; enquanto Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral, apresenta empate técnico entre os dois candidatos, tornando o estado o campo de batalha decisivo da eleição.
A liderança de Flávio Bolsonaro em São Paulo é o dado de maior impacto político entre todos os revelados pela pesquisa. São Paulo concentra mais de 35 milhões de eleitores, número que por si só equivale a um eleitorado maior do que o da maioria dos países da América do Sul. Historicamente, o estado oscilou entre o petismo e o bolsonarismo nas eleições de 2018, 2022 e agora projeta majoritariamente na direção do candidato do PL. O resultado reflete tanto a solidez da base eleitoral conservadora no estado mais populoso e economicamente dinâmico do Brasil quanto as dificuldades do PT em reconquistar o eleitorado urbano de renda média que migrou para Bolsonaro em 2018 e que, segundo as pesquisas qualitativas, ainda não se identificou plenamente com o projeto petista de terceiro mandato.
A vantagem de Lula nos estados do Nordeste reproduz um padrão histórico consolidado ao longo de décadas de presença institucional do PT na região, combinando a memória afetiva das políticas sociais dos governos Lula anteriores, a força do Bolsa Família e do Programa de Aquisição de Alimentos na formação do capital político petista, e a presença de governadores e prefeitos aliados que mobilizam a estrutura institucional estadual e municipal em favor da candidatura. No Maranhão, no Piauí, no Ceará e na Bahia, Lula apresenta vantagens superiores a 10 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno, margens que dificilmente serão revertidas até outubro.
A questão mineira é, provavelmente, a mais intrincada do panorama eleitoral atual. Minas Gerais reúne características que o tornam simultaneamente favorável e desfavorável aos dois candidatos: é um estado com forte tradição de voto anti-petista na região metropolitana de Belo Horizonte e no sul do estado, mas que possui no norte e no noroeste mineiros uma concentração expressiva de eleitores de baixa renda beneficiários de políticas sociais federais que historicamente votam no PT. O desfecho da disputa em Minas pode ser determinante para o resultado nacional do primeiro turno, e ambas as campanhas deverão concentrar recursos e esforços de mobilização desproporcionais no estado nos meses que antecedem a eleição.
Do ponto de vista das perspectivas de segundo turno, a distribuição estadual das vantagens no primeiro turno sugere um cenário de extrema competitividade. Flávio Bolsonaro precisará manter sua liderança em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e estados do Sul, regiões que juntas concentram o maior número de eleitores do país, ao mesmo tempo em que limita as perdas nas regiões Norte e Nordeste, onde o PT é estruturalmente mais forte. Lula, por sua vez, precisará manter o bloco nordestino coeso e ampliar sua penetração nos grandes centros urbanos do Sudeste, tarefa que as pesquisas sugerem ser mais difícil do que no ciclo eleitoral anterior. O resultado final dependerá, em última análise, de variáveis hoje ainda imprevisíveis: o desempenho econômico nos próximos cinco meses, o impacto do pacote de programas sociais sobre a percepção do governo e a capacidade de Flávio Bolsonaro de se consolidar como alternativa viável sem o peso do personalismo extremo de seu pai.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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