Decisão aponta ausência de indícios de obstrução das investigações; empresários deverão cumprir medidas cautelares

A Justiça de São Paulo negou, nesta sexta-feira (13), o pedido de prisão temporária dos sócios da academia C4 Gym investigados pela morte da professora Juliana Faustino Basseto, de 27 anos. O caso ocorreu no último sábado (7), após a vítima passar mal ao utilizar a piscina da unidade localizada em São Lucas, na Zona Leste da capital.

A decisão é da juíza Paula Marie Konno, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Segundo a magistrada, não foram apresentados elementos que justificassem a “medida segregatória extrema”, uma vez que os investigados já prestaram depoimento, a perícia realizou coleta de materiais, o estabelecimento foi interditado e não há registro de tentativa de intimidação de testemunhas.

Medidas cautelares impostas

Embora tenha negado a prisão, a Justiça determinou medidas cautelares aos três empresários Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração. Eles deverão:

  • Comparecer periodicamente em juízo para justificar atividades e atualizar endereço;
  • Não manter contato direto ou indireto com testemunhas do caso;
  • Não se ausentar da comarca por mais de sete dias sem autorização judicial.

A magistrada alertou que o descumprimento das condições pode resultar em prisão preventiva.

Em nota, a defesa dos empresários afirmou ter recebido a decisão “com satisfação” e reiterou que os investigados permanecem à disposição das autoridades.

Indiciamento por homicídio com dolo eventual

Na quarta-feira (11), a Polícia Civil indiciou os três sócios por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de causar a morte. A principal hipótese investigada é de intoxicação provocada por excesso de cloro na piscina.

Além da professora, outras cinco pessoas que utilizaram a piscina no mesmo dia apresentaram sintomas e precisaram de atendimento hospitalar.

Segundo a investigação, a mistura de produtos químicos teria sido realizada por um funcionário sem formação técnica, que recebia orientações dos proprietários por mensagem. A defesa do funcionário afirma que ele atua apenas como testemunha e colabora com o inquérito.

O delegado responsável pelo caso apontou que haveria uso inadequado de produtos químicos, supostamente com foco na redução de custos operacionais.

MP investiga rede de academias

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades estruturais nas unidades da rede, que opera por meio de franquias. A Promotoria investiga se estabelecimentos funcionam sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Após o episódio, a Subprefeitura de Vila Prudente interditou a unidade da C4 Gym em São Lucas por “situação precária de segurança” e ausência de Auto de Licença de Funcionamento.

A reportagem segue tentando contato com a academia para manifestação.

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