Em pleno do Carnaval paulistano, onde o ritmo das baterias se entrelaça com a efervescência coletiva da folia, uma operação inusitada da Polícia Civil revelou, na tarde deste sábado, 14 de fevereiro de 2026, a astúcia das forças de segurança em combater o flagelo dos furtos de celulares. Agentes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, o renomado DHPP, infiltraram-se entre os foliões de um animado bloco na região da República, no Centro de São Paulo, trajando fantasias inspiradas nos icônicos personagens da Turma do Scooby-Doo, especificamente como Scooby e Daphne. Essa estratégia camuflada permitiu não apenas a identificação precisa do modus operandi de um trio criminoso, composto por duas mulheres e um homem, mas também a prisão em flagrante dos suspeitos, com a recuperação de oito aparelhos celulares de diversas marcas, guardados em uma bolsa tipo pochete pertencente a uma das detidas.
A cena, digna de um episódio do clássico desenho animado que cativou gerações desde os anos 1960, materializou-se em meio à aglomeração festiva, onde o suor dos dançarinos se misturava ao ar carregado de confetes e serpentinas. Os policiais, imersos no fluxo humano com suas vestimentas coloridas e expressivas, observaram atentamente os movimentos suspeitos do grupo, que explorava a distração generalizada para subtrair os valiosos dispositivos eletrônicos dos participantes desprevenidos. A abordagem foi executada com precisão cirúrgica, sem alarde desnecessário, preservando a atmosfera carnavalesca enquanto se concretizava a detenção. Os aparelhos apreendidos, agora sob custódia para perícia técnica, aguardam a devolução às vítimas legítimas, mediante o registro de boletim de ocorrência nas delegacias físicas ou pela Delegacia Eletrônica, preferencialmente com o número IMEI dos equipamentos para agilizar o processo.
Essa ação insere-se em um esquema especial de segurança orquestrado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, que mobiliza milhares de agentes para salvaguardar os eventos carnavalescos em uma das maiores metrópoles do hemisfério sul. Até o momento, as operações relacionadas à folia já acumulam 27 prisões na capital, abrangendo desde furtos e roubos até tentativas de ingresso irregular em espaços como o Sambódromo do Anhembi, onde câmeras do programa Muralha Paulista identificaram um foragido da Justiça na noite anterior. No pré-Carnaval, ações semelhantes haviam rendido frutos: policiais fantasiados de Caça-Fantasmas detiveram outro trio na Consolação, recuperando celulares furtados durante megabloco de DJ renomado, enquanto equipes à paisana atuavam no entorno do Parque Ibirapuera, com abordagens preventivas que inibem a criminalidade oportunista.
A escolha de disfarces temáticos, longe de ser mero capricho estético, reflete uma tática consolidada nas festas de rua paulistanas, que ganhou notoriedade nos últimos anos. Em edições anteriores do Carnaval, agentes caracterizados como Power Rangers, Mario Bros, Liga da Justiça e até dinossauros surpreenderam quadrilhas especializadas em furtos, simulando brigas ou distraindo foliões para consumar os delitos. Essa abordagem psicológica explora a imprevisibilidade: os criminosos, acostumados a patrulhas uniformizadas, baixam a guarda perante figuras aparentemente inofensivas e lúdicas, permitindo que os investigadores se aproximem sem suscitar desconfiança. Especialistas em criminologia urbana, como aqueles vinculados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, destacam que tais infiltrações elevam a taxa de elucidação de crimes patrimoniais em até 40 por cento durante eventos de massa, combinando inteligência humana com vigilância tecnológica.
O furto de celulares, aliás, configura-se como o calcanhar de Aquiles da segurança em carnavais contemporâneos, impulsionado pela ubiquidade dos smartphones como extensões do corpo humano. Em São Paulo, epicentro de uma folia que atrai milhões às ruas desde os anos 2000, com blocos como o Acadêmicos do Baixada e o Gaviões da Fiel concentrando multidões recordes, os dados da Secretaria da Segurança Pública revelam um incremento de 25 por cento nos registros dessa modalidade nos últimos dois anos. Os aparelhos não representam apenas bens materiais, avaliados em média em R$ 2 mil cada, mas repositórios de identidades digitais: fotos familiares, contas bancárias, senhas e memórias pessoais que, ao serem subtraídos, geram prejuízos intangíveis e duradouros. A Polícia Civil, ciente dessa vulnerabilidade, reforça orientações preventivas: uso de capas antichoque, desativação de biometria em aglomerações e o aplicativo Celular Seguro, que bloqueia remotamente dispositivos reportados como roubados.
Além da operação na República, o dia viu outras intervenções emblemáticas. Policiais militares, no entorno do Parque Ibirapuera, detiveram quatro indivíduos com nove celulares de origem duvidosa, enquanto cinco adolescentes foram surpreendidos com mais cinco aparelhos após tentativa de fuga. Em Pinheiros, uma ocorrência na Avenida Rebouças culminou na apreensão de um telefone recém-furtado. Essas ações, coordenadas entre Civil e Militar, com suporte de drones e equipes especializadas em crimes contra mulheres, tecem uma rede protetora que transcende o mero policiamento reativo, apostando na dissuasão proativa. O delegado responsável pelo DHPP, em declaração à imprensa, enfatizou a integração com a Delegacia da Mulher, priorizando denúncias de importunação sexual, que historicamente acompanham os excessos etílicos da folia.
Contudo, o episódio do Scooby-Doo transcende o factual para simbolizar a resiliência da ordem pública em meio ao caos festivo. Num Carnaval que, em 2026, celebra a vitalidade pós-pandemia com recordes de público estimados em 15 milhões de participantes, São Paulo reinventa sua imagem de metrópole segura, desafiando estereótipos de violência urbana propagados por narrativas sensacionalistas. A fantasia, outrora domínio do imaginário infantil, converte-se em instrumento de justiça real, evocando a essência do desenho: a solução de mistérios por meio da observação perspicaz e da colaboração inusitada. Críticos sociais, por sua vez, ponderam sobre os limites éticos dessa camuflagem policial, questionando se a proliferação de disfarces não dilui a autoridade visível do Estado, mas os números falam por si: redução de 18 por cento nos índices de furto em comparação a 2025, conforme balanço preliminar.
Enquanto os suspeitos foram encaminhados ao 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, para oitiva e instauração de inquérito, as vítimas são exortadas a formalizar queixas, facilitando a restituição. A Polícia Civil mantém plantões 24 horas nas unidades especializadas, com atendimento multilíngue na Delegacia Eletrônica, acessível via portal oficial. Em um ano eleitoralmente atípico, com Donald Trump assumindo a presidência dos Estados Unidos em janeiro após reeleição, o Brasil observa com atenção como São Paulo pavimenta um modelo de segurança festiva exportável, equilibrando prazer e prudência. Assim, o Carnaval prossegue, sob os olhares atentos de Scooby e sua turma, garantindo que a alegria coletiva não seja eclipsada pela sombra do crime oportunista.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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