Após quatro vice-campeonatos consecutivos, a União Imperial voltou ao topo do Carnaval de Santos. A conquista do 11º título da agremiação do bairro Marapé teve um peso simbólico adicional: ocorreu justamente no ano em que a escola celebra 50 anos de fundação.

Em entrevista, o presidente Luiz Alberto Martins, conhecido como Pelé, de 62 anos, detalhou os bastidores da preparação para o desfile que levou à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz o enredo “Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida”.

Primeira escola a desfilar pelo Grupo Especial em 2026, posição tradicionalmente vista como desafiadora, a União Imperial apostou em espiritualidade, organização e impacto visual com destaque para o carro abre-alas além da presença de musas como Viviane Araújo e Sheila Mello.

Tradição construída na união

Fundada em 1976, a escola surgiu após o bairro Marapé ficar sem blocos carnavalescos. Moradores que frequentavam as agremiações Brasil e Império do Samba participaram de um desfile na Vila Mathias, o que reacendeu o desejo de criar um reduto próprio.

O nome União Imperial simboliza justamente a junção das comunidades do Marapé e da Vila Mathias, além da ligação histórica com o Império do Samba.

Pelé passou a integrar a administração da escola em 2006, como tesoureiro, e está há sete anos na presidência. Segundo ele, apesar da rivalidade natural da avenida, a relação entre as escolas é de cooperação fora do desfile.

“A disputa é só na avenida. Fora dela, as escolas precisam caminhar juntas para melhorar estrutura e recursos. Somos coirmãs”, afirmou.

Regularidade e persistência

Apesar da sequência de vice-campeonatos recentes, o presidente afirma que não houve mudança estrutural significativa na postura da escola.

“A União foi campeã em 2018 e 2019. Nos últimos quatro anos poderia ter vencido também. Desta vez deu certo. Uma escola como a União sempre disputa o pódio”, avaliou.

A preparação começou em setembro, com cerca de 37 ensaios regulares, além de ensaios de rua e técnico na passarela. O foco esteve na disciplina dos componentes, atenção às regras e eliminação de detalhes que possam gerar perda de pontos.

“Carnaval é disputa. Não é só festa. Um relógio, um celular na avenida pode custar décimos decisivos”, ressaltou.

Enredo e espiritualidade

A escolha do enredo foi resultado de debates internos. A diretoria desejava marcar o cinquentenário, mas sem restringir o desfile apenas à retrospectiva histórica.

O carnavalesco, em conjunto com Lúcio Nunes, construiu uma narrativa que conectou ancestralidade, espiritualidade e trajetória da escola, resultando no conceito de renascimento e união.

Bastidores e desafios financeiros

Com aproximadamente 1,5 mil componentes na avenida, a logística envolve múltiplas frentes: figurinos, ferragens, marcenaria, iluminação, transporte e organização de alas.

O orçamento é um dos maiores desafios. A escola recebe R$ 232 mil de verba municipal, mas o custo total do desfile gira em torno de R$ 350 mil. A diferença é coberta com eventos na quadra, parcerias e contribuições de alas, como o grupo “Amigos da União”, que promove ações para custear fantasias e estrutura.

“O maior desafio das escolas é financeiro. Carnaval é caro e exige reinvenção constante”, destacou.

Presenças nacionais e visibilidade

Viviane Araújo e Sheila Mello, que já desfilaram pela agremiação, foram convidadas novamente neste ano. Além do impacto artístico, a presença das musas contribui para a arrecadação em eventos preparatórios e amplia a visibilidade do Carnaval santista.

“Elas engrandecem o desfile e levam o nome da União e do Carnaval de Santos para outros centros”, afirmou o presidente.

Emoção e responsabilidade

Para Pelé, o momento mais intenso ocorre da concentração até a dispersão.

“É tensão na entrada, atenção durante o desfile e emoção quando cruzamos a linha final sabendo que deu tudo certo.”

Presidir uma escola, segundo ele, exige habilidade para lidar com diferentes perfis e manter o grupo unido em torno de um único objetivo.

“No desfile, todos têm a mesma importância: da rainha ao integrante que empurra o carro alegórico.”

Um título histórico

A conquista no ano do cinquentenário foi classificada por Pelé em uma palavra: perseverança.

Além do troféu, ele aponta sonhos estruturais ainda não realizados, como a construção de um barracão próprio e melhorias na quadra.

“Ganhar no cinquentenário é histórico. Mas o trabalho continua. Escola de samba vive de superação.”

HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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