Polícia Civil prendeu 20 suspeitos na Operação Covil do Mamon; investigação aponta empréstimos com juros abusivos, ameaças, sequestros, lavagem de dinheiro e participação de policiais militares.
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Covil do Mamon contra duas organizações criminosas suspeitas de atuar com agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. A ação resultou na prisão de 20 investigados, incluindo dois policiais militares, e na apreensão de armas de fogo, computadores, celulares e espadas ornamentadas de estilo medieval, que chamaram atenção entre os materiais recolhidos.
Segundo a investigação, os grupos emprestavam pequenas quantias a vítimas em situação de necessidade financeira e, depois, cobravam valores muito superiores aos originais por meio de juros abusivos. Quando os pagamentos não eram feitos, a cobrança passava a envolver ameaças, agressões, sequestros, cárcere privado e tortura. A polícia aponta que o esquema movimentou ao menos R$ 24 milhões.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, a estrutura criminosa atuava em núcleos. Um grupo ficava responsável pelos empréstimos e pela cobrança direta das dívidas. Outro núcleo fazia a movimentação financeira e a ocultação dos valores obtidos ilegalmente.
As investigações apontam distorções graves entre o valor emprestado e o total cobrado. Em um dos casos citados pela polícia, um empréstimo de R$ 150 teria se transformado em uma dívida de R$ 45 mil. Em outro, o débito teria ultrapassado R$ 400 mil, sem relação proporcional com o valor originalmente entregue à vítima.
A suspeita é que o medo fosse usado como ferramenta de controle. Vítimas que não conseguiam pagar passavam a ser pressionadas por cobranças violentas, o que transformava uma dívida informal em mecanismo de intimidação e exploração.
Prisões ocorreram em diferentes estados
A operação cumpriu mandados no Amazonas e em outros estados. Ao todo, foram sete prisões em Manaus e 13 fora do Amazonas, em ações simultâneas com apoio de forças policiais locais. Dois policiais militares do Amazonas foram presos em Santa Catarina. A corporação informou que os agentes já estavam suspensos das atividades e respondiam a procedimento administrativo disciplinar.
Além das prisões, a Polícia Civil cumpriu 31 mandados de busca e apreensão, sequestrou 42 veículos e sete imóveis, e obteve bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados. Sete empresas apontadas como fachadas também tiveram atividades suspensas por decisão judicial.
Espadas e armas foram apreendidas
Entre os itens apreendidos estavam espadas ornamentadas, armas de fogo, celulares, computadores e outros materiais que serão analisados pela investigação. Embora as espadas tenham repercutido pelo caráter incomum, a apuração se concentra na estrutura financeira e operacional do grupo.
Para a polícia, os objetos apreendidos podem ajudar a reconstruir vínculos entre os investigados, rotas de dinheiro, contatos com vítimas e possível participação de terceiros. A análise dos aparelhos eletrônicos deve indicar se há novos envolvidos ou outras vítimas ainda não identificadas.
O que diz a lei
A agiotagem é associada à prática de usura, prevista na legislação brasileira como crime contra a economia popular. A Lei nº 1.521/1951 trata da usura pecuniária ou real, incluindo cobrança de juros, comissões ou descontos superiores aos permitidos em lei, além da obtenção de vantagem desproporcional em contrato mediante abuso da necessidade, inexperiência ou leviandade da outra parte.
Quando a cobrança envolve ameaça, agressão, sequestro, cárcere privado, tortura ou lavagem de dinheiro, a investigação pode alcançar outros crimes além da agiotagem. Por isso, operações desse tipo costumam avançar sobre patrimônio, empresas, contas bancárias e bens usados para ocultar a origem dos valores.
Serviço ao leitor
✔️ Não entregue documentos, cartões ou senhas como garantia de empréstimo informal
✔️ Desconfie de crédito rápido sem contrato claro, especialmente com cobrança diária ou juros muito altos
✔️ Guarde mensagens, áudios, comprovantes e registros de transferência caso esteja sendo ameaçado
✔️ Não aceite renegociações feitas sob intimidação ou ameaça a familiares
✔️ Em situação de risco imediato, ligue 190
✔️ Denúncias anônimas em São Paulo podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181
✔️ Registre boletim de ocorrência na Polícia Civil se houver ameaça, extorsão, agressão ou retenção de bens
✔️ Procure orientação jurídica ou a Defensoria Pública quando houver dívida informal com cobrança abusiva
Agiotagem costuma atingir pessoas que já estão em situação de urgência financeira. A promessa inicial é de solução rápida, sem burocracia e sem análise bancária. O problema começa quando a dívida cresce artificialmente, com juros sucessivos, multas informais e cobranças fora de qualquer regra legal.
Em muitos casos, a vítima demora a denunciar por vergonha, medo ou dependência do dinheiro emprestado. Esse silêncio favorece a atuação de redes criminosas, que usam a cobrança violenta para ampliar domínio sobre comerciantes, trabalhadores e famílias.
A Operação Covil do Mamon expõe como a agiotagem pode deixar de ser apenas uma prática financeira ilegal e se transformar em uma rede de extorsão, violência e lavagem de dinheiro. A apreensão de espadas chamou atenção, mas o centro da investigação está nos empréstimos abusivos, nas cobranças violentas e na movimentação milionária atribuída aos investigados. Para o leitor paulista, a orientação é clara: empréstimo informal com ameaça, juros desproporcionais ou retenção de bens deve ser denunciado.
Vinicius Mororó – Jornalista Atípico
Editor-Executivo-Regional
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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Vinicius Mororó – Jornalista Atípico
Editor-Executivo-Regional | Jornalista | Diretor Editorial Editor-Executivo-Regional da HostingPress Agência de Notícias de São Paulo, com atuação voltada à coordenação editorial regional, articulação com veículos parceiros e fortalecimento da distribuição de conteúdo jornalístico no Estado de São Paulo. Editor-chefe do Jornal Impacto Cotia, com foco em jornalismo investigativo, interesse público e análise crítica de temas políticos, sociais e institucionais.




