Uma pesquisa divulgada nos primeiros dias desta semana pela Rádio CBN e confirmada por outros levantamentos recentes revelou um paradoxo que sintetiza com particular precisão o estado de desconfiança e dependência ambivalente que a população brasileira nutre em relação ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados afirmam que os ministros do STF têm poder de mais, ao passo que 71% sustentam que a Corte é essencial para a proteção da democracia. De forma reveladora, 75% dos respondentes afirmaram que as pessoas acreditam menos no Supremo hoje do que há um ano.
Esse tipo de contradição aparente, que seria paradoxal numa leitura superficial, é perfeitamente coerente com a sociologia das instituições em países de democracia recente. A desconfiança no STF não é necessariamente incompatível com o reconhecimento de sua indispensabilidade; ao contrário, pode refletir exatamente a percepção de que uma instituição com tanto poder concentrado numa cúpula de apenas onze ministros não eleitos deveria ser objeto de escrutínio mais rigoroso e de mecanismos mais robustos de controle externo.
O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, realizado em março com 2.080 eleitores distribuídos por 158 municípios de 26 estados e do Distrito Federal, havia apontado que 42,3% dos brasileiros classificam o trabalho do STF como “ruim ou péssimo”, contra 24,4% que o avaliam como “ótimo ou bom”. A metodologia e a amplitude da amostra conferem à pesquisa representatividade estatística suficiente para retratar com fidelidade o humor da opinião pública.
A queda de credibilidade do Supremo está associada a múltiplos fatores, incluindo o protagonismo da Corte em decisões de alta visibilidade política, como as condenações dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, a gestão das investigações contra figuras proeminentes do cenário político e o acúmulo de poderes normativos que, segundo críticos de variados espectros ideológicos, extrapola as fronteiras constitucionais da função jurisdicional. O Datafolha prevê divulgar ainda nesta semana nova pesquisa com avaliação individualizada de cada ministro, o que promete adicionar camadas adicionais de complexidade ao debate.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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