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STF pede explicações à Prefeitura de São Paulo sobre elo com Banco Master e Nunes reage

por admin
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O Supremo Tribunal Federal notificou a Prefeitura de São Paulo para que preste esclarecimentos sobre os vínculos entre concessionárias do serviço funerário da capital paulista e o Banco Master, instituição financeira cujo controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, encontra-se preso preventivamente desde novembro de 2025, acusado de liderar um dos maiores esquemas de fraude do sistema financeiro nacional nas últimas décadas. A decisão partiu do ministro Flávio Dino no âmbito de ação que questiona o modelo de concessão dos serviços funerários no município, e representa mais um capítulo de um escândalo que, mês após mês, alarga sua abrangência para atingir instituições públicas, políticos e instâncias do próprio Judiciário.

Segundo informações publicadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o despacho de Dino aponta que a própria gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) já havia tomado conhecimento da possível relação entre as empresas concessionárias dos serviços funerários e o ecossistema financeiro do Banco Master, chegando ao ponto de abrir uma investigação interna. O ministro determina que a Prefeitura esclareça, com evidências documentais, a natureza do vínculo entre as concessionárias responsáveis pela gestão funerária na cidade de São Paulo e o grupo liderado por Vorcaro. O caso ganhou contornos ainda mais definidos com a revelação de que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e figura central nas investigações sobre o Banco Master, atuou como conselheiro da empresa Cortel, que opera serviços funerários na capital, entre 2022 e 2025, período que coincide com parte das irregularidades investigadas pela Polícia Federal.

A reação da Prefeitura de São Paulo foi, no mínimo, desconcertante em seu tom institucional. Em nota encaminhada à imprensa, a gestão municipal não se limitou a defender a legalidade do contrato de concessão, como seria de se esperar, mas adotou postura combativa em relação ao próprio ministro do STF, sugerindo que Flávio Dino deveria “perguntar aos colegas de Supremo Tribunal Federal sobre o Banco Master, que é onde se encontra a investigação sobre ações e atos do banco”. A resposta, ao tentar redirecionar o escrutínio para os bastidores da própria Corte, acabou por ressaltar precisamente o que mais incomoda no caso: a naturalidade com que conexões entre poder público e grupos financeiros investigados parecem existir, sem que os gestores municipais demonstrem, em sua comunicação pública, o grau de alarme que a gravidade da situação exigiria.

O Banco Master, fundado e controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após o órgão regulador identificar “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional. A liquidação extrajudicial foi precedida por uma operação de compra pelo Banco de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal, que adquiriu títulos podres e créditos de qualidade duvidosa no valor superior a R$ 12 bilhões, gerando um rombo que hoje pressiona as finanças do governo distrital e cujas consequências para os cotistas dos fundos de pensão e para os investidores que ultrapassavam o limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos ainda não estão plenamente dimensionadas.

O inquérito que tramita no STF, batizado de Operação Compliance Zero e anteriormente sob relatoria do ministro Dias Toffoli, passou ao ministro André Mendonça após a saída de Toffoli do caso em meio a questionamentos sobre a imparcialidade do magistrado, cujos vínculos indiretos com o ecossistema do Banco Master foram objeto de reportagens investigativas de grande repercussão. Mendonça prorrogou o inquérito por mais sessenta dias em março de 2026, atendendo a pedido da Polícia Federal, que afirmou ao STF ser a medida “imprescindível para o esclarecimento dos fatos”. Em paralelo, o ministro determinou que a CPMI do INSS, comissão parlamentar que também investigava o Banco Master, fosse proibida de acessar dados da quebra de sigilo de Vorcaro armazenados em sala-cofre no Congresso, decisão que acirrou o conflito entre o Legislativo e o Judiciário e gerou críticas de senadores que viam na medida uma tentativa de proteger o investigado.

A dimensão política do escândalo é de proporções raras. Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelam que o Banco Master efetuou repasses milionários a escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligadas a nomes como o ex-presidente Michel Temer, o presidente do União Brasil Antônio Rueda, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, o ex-ministro Guido Mantega e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, entre outros. A lista, que ainda está sendo apurada, sugere que Vorcaro construiu, ao longo de anos, uma vasta rede de relacionamentos com o poder político e jurídico nacional, utilizando o Banco Master como instrumento de captação de recursos, geração de créditos fraudulentos e distribuição de influência estratégica.

No âmbito do Estado de São Paulo, o Ministério Público já apresentou quatro representações ao Tribunal de Contas para investigar aportes milionários de institutos de previdência de municípios paulistas no Banco Master, incluindo os casos de Araras, onde o sistema de previdência investiu R$ 29 milhões em letras financeiras do banco, e de São Roque, onde um cidadão moveu processo apontando “gestão temerária” dos recursos previdenciários. As investigações apontam que parte das aplicações foram realizadas após outubro de 2024, período pós-eleitoral, o que levanta suspeitas adicionais sobre os critérios que orientaram as decisões de investimento naquelas autarquias.

A notificação da Prefeitura de São Paulo pelo STF sobre os serviços funerários representa, nesse quadro mais amplo, a face mais recente de um escândalo que não para de crescer. A questão que permanece em aberto é saber até onde chegam os tentáculos do esquema de Vorcaro nas estruturas do poder público municipal, estadual e federal, e se as instituições responsáveis pela investigação conseguirão resistir às pressões políticas para que os fatos sejam apurados com a rigorosidade e a celeridade que os cidadãos brasileiros merecem.

Acompanhar esse e outros desdobramentos do caso Banco Master com a profundidade, o rigor e a independência que o tema exige é o que o Portal INFOCO faz todos os dias. Acesse nossas reportagens, leia com atenção, compartilhe com responsabilidade e mantenha-se informado sobre o que acontece nas esferas do poder que afetam diretamente a sua vida.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe

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