Museu Nacional recebe vestimenta de Mãe Bernadete e amplia memória quilombola no acervo
Peça foi doada pelo filho da liderança durante encontro dedicado à preservação de saberes e patrimônios das comunidades

Uma vestimenta de uso pessoal de Mãe Bernadete passou a integrar o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A doação foi realizada por seu filho, o professor e gestor cultural Jurandy Pacífico dos Santos, durante a terceira edição dos Diálogos da Reconstrução.
A peça é um vestido branco com detalhes em azul, a escolha foi feita depois de representantes do museu consultarem a família sobre a possibilidade da doação.
Mãe Bernadete era ialorixá e liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Foi assassinada em agosto de 2023.
Para a família, a incorporação da peça permite levar essa história a pesquisadores, visitantes e novas gerações, mantendo sua memória para além do território da comunidade.
Comunidades participam da construção das narrativas
Realizado em 28 e 29 de outubro, o encontro teve como tema “Memórias, saberes e patrimônios quilombolas no Museu Nacional”.
A programação reuniu lideranças de diferentes regiões para discutir preservação da memória, produção cultural e transmissão de conhecimentos. Também abordou a participação das comunidades na formação de acervos e nas futuras exposições.
Entre os temas debatidos estavam a atuação das mulheres na defesa dos territórios, a presença quilombola nas universidades e práticas como cerâmica e tecelagem.
A iniciativa foi organizada pelo Museu Nacional/UFRJ e pelo Projeto Museu Nacional Vive, em parceria com organizações quilombolas.
Segundo a proposta institucional, ouvir os produtores e detentores dos conhecimentos tradicionais é parte do processo de definir como essas histórias serão representadas. A doação da vestimenta se insere nesse esforço de aproximação entre o museu e as comunidades.