Plano da dona da rede Pão de Açúcar já tem adesão de credores que representam 46% dos débitos
A Companhia Brasileira de Distribuição (GPA), controladora da rede de supermercados Pão de Açúcar, informou nesta terça-feira que firmou acordo com parte de seus credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial.
Segundo comunicado ao mercado, o plano envolve aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia. A proposta já conta com o apoio de credores que representam 46% desse montante, percentual acima do mínimo legal necessário para viabilizar a negociação.
A empresa afirmou que fornecedores, parceiros comerciais, clientes e trabalhadores não serão afetados pela reestruturação.
Plano prevê suspensão temporária de pagamentos
De acordo com a companhia, o plano de recuperação tem efeito imediato, com a suspensão das obrigações financeiras junto aos credores envolvidos por um período inicial de 90 dias.
Durante esse prazo, o grupo pretende ampliar o apoio dos demais credores e construir uma solução definitiva para reestruturar a dívida.
“O plano cria um ambiente seguro e estável para a continuidade das negociações”, informou a empresa em nota.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a renegociação de dívidas diretamente entre empresa e credores, sem necessidade de autorização prévia da Justiça.
Mercado reage com queda das ações
Após a divulgação do acordo, as ações do GPA registraram queda inicial de 8,8%, reduzida posteriormente para cerca de 4%, entre os maiores recuos do índice Ibovespa no pregão da manhã.
No acumulado do ano, os papéis da companhia apresentam desvalorização aproximada de 30%.
Dívidas de curto prazo pressionam a companhia
Segundo dados divulgados pela empresa, o GPA possui R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo ainda neste ano, além de um capital circulante negativo de cerca de R$ 1,22 bilhão.
Analistas avaliam que, além da renegociação com credores, a companhia poderá recorrer a outras medidas para reforçar o caixa, como:
- aumento de capital
- venda de ativos
- obtenção de novas linhas de crédito
- redução de custos operacionais
Processo de reestruturação inclui mudanças na gestão
O presidente do GPA, Alexandre Santoro, que assumiu o comando da companhia recentemente, tem promovido mudanças na diretoria como parte da estratégia de reestruturação financeira.
Segundo a empresa, as alterações fazem parte de uma transição planejada na liderança executiva e não devem afetar a operação das lojas.
Fundado em 1948, o grupo possui 728 lojas em operação e cerca de 37 mil colaboradores diretos em todo o Brasil.
Reestruturação ocorre após anos de venda de ativos
Nos últimos anos, o GPA tem realizado uma série de desinvestimentos para reduzir o endividamento, incluindo:
- venda de unidades do Extra para o Assaí Atacadista
- venda da participação no Grupo Éxito
- alienação de imóveis e postos de combustível
Apesar dessas medidas, analistas apontam que a companhia ainda enfrenta dificuldades relacionadas à geração de caixa e ao custo financeiro elevado, influenciado pelas altas taxas de juros.
*Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial para fins editoriais.
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