

Caso no Reino Unido expõe impactos devastadores de medicamentos que podem provocar transtornos de controle de impulsos
Uma família britânica afirma ter tido a vida destruída após o marido desenvolver comportamentos compulsivos severos ligados a um medicamento usado no tratamento da doença de Parkinson. Segundo relato da esposa, Frances, o advogado Andrew desviou cerca de £ 600 mil o equivalente a aproximadamente R$ 4,27 milhões de clientes idosos para gastar com sites de sexo ao vivo, prostituição e antiguidades.
O caso ocorreu na Inglaterra e veio à tona após Andrew ser preso sob acusação de fraude contra 13 clientes, a maioria com mais de 80 anos e alguns com demência. Parte das vítimas dependia financeiramente dos valores desviados.
Medicamento e comportamento impulsivo
Andrew havia sido diagnosticado com Parkinson alguns anos antes da prisão e passou a utilizar pramipexol, medicamento que atua aumentando a atividade da dopamina substância relacionada ao controle de movimentos, mas também aos mecanismos de recompensa e prazer.
Segundo a família, os efeitos iniciais foram positivos, reduzindo significativamente os tremores. No entanto, pouco tempo depois, surgiram comportamentos compulsivos.
Antes do tratamento, Andrew utilizava sites de conteúdo adulto esporadicamente. Após o início da medicação, realizou quase 500 pagamentos a plataformas do tipo em um ano, chegando a gastar mais de £ 100 mil em um único site. Ele também desembolsou cerca de £ 80 mil com profissionais do sexo em quatro meses e acumulou gastos de £ 85 mil no eBay com antiguidades.
O comportamento foi posteriormente associado ao que a literatura médica classifica como transtornos de controle de impulsos, condição que pode afetar pacientes que utilizam agonistas da dopamina.
Um estudo de 2010 citado na reportagem indica que cerca de um em cada seis pacientes com Parkinson que utilizam esse tipo de medicamento pode desenvolver algum grau desses transtornos.
Processo judicial e condenação
Durante o julgamento, em 2015, Andrew se declarou culpado por fraude. O juiz reconheceu que o comportamento estava ligado ao medicamento, mas entendeu que ele ainda tinha discernimento suficiente para buscar ajuda. Ele foi condenado a quatro anos de prisão.
Após cumprir pena, mudou-se para uma residência assistida. Segundo a família, ele interrompeu o uso do medicamento, mas os sintomas de Parkinson se agravaram. Em outubro de 2020, Andrew morreu por suicídio.
O filho do casal também morreu por suicídio anos antes, após agravamento de problemas de saúde mental, em meio às consequências do escândalo.
Debate sobre alertas e monitoramento
A reportagem aponta que medicamentos agonistas da dopamina são amplamente prescritos no Reino Unido e que, embora haja alertas sobre possíveis efeitos colaterais, familiares e pacientes afirmam que não receberam orientações claras ou acompanhamento adequado.
Desde 2017, diretrizes do sistema público britânico determinam que médicos forneçam informações verbais e escritas sobre os riscos de comportamentos impulsivos e façam monitoramento regular.
Parlamentares britânicos pedem agora que as bulas detalhem com mais clareza a frequência e a natureza dos possíveis efeitos colaterais, incluindo vícios em pornografia, jogos de azar e compras compulsivas.
A Agência Reguladora de Medicamentos do Reino Unido afirmou que os comportamentos são individualizados e que não há planos imediatos para alterar os avisos atuais.
Orientação médica
Especialistas reforçam que pacientes que utilizam medicamentos para Parkinson e percebam mudanças comportamentais como aumento de impulsividade, gastos excessivos ou alterações no comportamento sexual devem procurar imediatamente orientação médica. A interrupção ou ajuste da medicação só deve ser feita com acompanhamento profissional.
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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