Escalada envolvendo Irã aumenta fretes, seguros e incertezas nas exportações do setor
A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem gerado impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro, com pressão sobre custos logísticos, fretes e seguros internacionais. O cenário aumenta a incerteza nas exportações e exige adaptações nas rotas comerciais utilizadas pelo setor.
O principal efeito imediato ocorre na logística global. Bloqueios e riscos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, têm levado armadores a evitar determinadas regiões, reduzindo a oferta de contêineres e encarecendo o transporte marítimo. Em alguns casos, há cobrança adicional por risco de guerra, elevando significativamente o custo das operações.
Além da logística, o conflito também impacta os custos de produção, com alta nos preços do petróleo, fertilizantes e fretes. Esses fatores afetam diretamente a competitividade das exportações brasileiras e as margens do setor.
O Oriente Médio é um mercado relevante para o agronegócio nacional. Em 2025, a região respondeu por US$ 12,5 bilhões em exportações brasileiras de produtos agropecuários. O Irã, isoladamente, movimentou US$ 2,92 bilhões em compras, com destaque para milho, soja, açúcar, farelo de soja e café.
No sentido inverso, o Brasil depende do país para o fornecimento de insumos, como a ureia, fertilizante essencial para a produção agrícola. Esse fluxo também pode ser afetado pela instabilidade na região.
Entidades do setor apontam que o impacto tende a ocorrer mais pela dificuldade no escoamento da produção do que pela redução da demanda. A interrupção de reservas de transporte, escassez de contêineres e necessidade de rotas alternativas aumentam o tempo de entrega e os custos das operações.
Produtos como milho e carne de frango estão entre os mais expostos, devido à forte presença no mercado do Oriente Médio. Já no caso do café, mudanças nas rotas internacionais podem alterar a competitividade entre países exportadores.
Apesar das dificuldades, há avaliação de que a demanda por alimentos tende a se manter, uma vez que a segurança alimentar é considerada estratégica pelos países importadores. Nesse contexto, o Brasil pode manter relevância no abastecimento global, ainda que com custos mais elevados e maior volatilidade.
A extensão dos impactos dependerá da duração do conflito e da capacidade do comércio internacional de reorganizar rotas logísticas e fluxos de distribuição.
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