Governo norte-americano discute medidas mais duras contra facções brasileiras ligadas ao narcotráfico
O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), são consideradas ameaças relevantes à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.
A avaliação foi divulgada em meio a discussões em Washington sobre o uso de instrumentos mais rigorosos para combater organizações criminosas com atuação internacional.
Em resposta escrita, o órgão diplomático norte-americano afirmou que as duas facções estão entre os grupos que atualmente despertam preocupação entre autoridades de segurança do hemisfério.
Possível classificação como organizações terroristas é discutida
Autoridades dos EUA discutem internamente a possibilidade de utilizar mecanismos jurídicos mais amplos contra essas organizações, incluindo a eventual classificação como organizações terroristas estrangeiras.
Esse tipo de enquadramento permite ampliar sanções e instrumentos legais, como bloqueio de ativos financeiros, restrições internacionais e punições adicionais contra integrantes ou apoiadores.
O Departamento de Estado, porém, evitou confirmar se essa designação está em preparação.
“Não antecipamos possíveis designações terroristas nem deliberações sobre esse tipo de classificação”, informou o órgão em comunicado.
Nos últimos anos, o governo dos Estados Unidos já aplicou essa estratégia a cartéis e organizações criminosas de outros países do continente, como grupos ligados ao narcotráfico na Venezuela e no México.
Governo brasileiro acompanha debate com cautela
A hipótese de enquadramento das facções brasileiras tem sido acompanhada com preocupação pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tema foi discutido em conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Segundo interlocutores diplomáticos, o governo brasileiro defende o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado, mas ressalta que qualquer iniciativa deve respeitar a soberania nacional e o marco jurídico brasileiro.
Diferença jurídica entre crime organizado e terrorismo
Autoridades brasileiras argumentam que organizações como PCC e Comando Vermelho são enquadradas na legislação nacional como organizações criminosas voltadas ao lucro, e não como grupos terroristas com motivação política ou ideológica.
Essa distinção jurídica é considerada central para definir o tratamento legal desses grupos no Brasil.
As duas facções estão entre as maiores organizações criminosas do país, com presença em diversos estados e atuação em rotas internacionais de tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
Tema pode entrar na agenda diplomática entre Lula e Trump
A discussão também deverá ser tratada em um eventual encontro entre o presidente brasileiro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.
De acordo com fontes diplomáticas, a reunião ainda não tem data definida.
HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo
Reprodução autorizada mediante crédito da fonte
Portal criado para conectar os leitores da região ao melhor conteúdo
Somos líderes de audiência local. Somos sociais. Conecte-se conosco.

