

Com drones de monitoramento aéreo, milhares de policiais militares femininas treinadas para acolhimento imediato de vítimas e unidades móveis de Delegacias de Defesa da Mulher, as polícias de São Paulo montam um esquema reforçado de segurança para o Carnaval 2026, priorizando o combate a crimes contra mulheres em meio à expectativa de 16,5 milhões de foliões nas ruas e 350 mil no Sambódromo do Anhembi. A Operação Carnaval Seguro, que começa neste sábado, 14 de fevereiro, integra tecnologia avançada, policiamento ostensivo e rede de proteção social, visando zerar importunação sexual e violência doméstica durante a maior festa popular do estado.
Drones e monitoramento em tempo real
A Polícia Militar destina 5,2 mil agentes diários apenas à capital, com 25 drones posicionados em pontos estratégicos de blocos de rua, desfiles e aglomerações no litoral e interior. As aeronaves não tripuladas capturam imagens em alta resolução, transmitidas ao vivo para o Centro de Operações da PM (Copom), permitindo identificar situações de risco, deslocamentos suspeitos e crimes em andamento.
O coronel Carlos Lucena, da Coordenadoria Operacional da PM, enfatiza que a tecnologia eleva a produtividade: “Os drones geram flagrantes precisos e reduzem indicadores criminais ao retirar infratores de circulação rapidamente”. Além dos drones, helicópteros Águia e o sistema de videomonitoramento com câmeras inteligentes completam o arsenal, cobrindo desde o Anhembi até praias como Santos e Guarujá.
Agentes femininas e Cabine Lilás contra violência de gênero
Foco especial recai sobre crimes contra mulheres, com policiamento feminino dedicado ao acolhimento imediato de vítimas de importunação sexual, assédio ou agressão. Essas agentes, treinadas para escuta qualificada, atuam em contato direto com a Cabine Lilás, central do Copom que monitora ocorrências de violência doméstica e de gênero, coordenando prisões em flagrante e encaminhamentos ao IML ou Delegacias da Mulher.
O ônibus SP Por Todas, iniciativa do Governo estadual, estaciona no Sambódromo e em megablocos como os do Ibirapuera e Consolação, oferecendo atendimento psicológico, jurídico e médico. Desde 2019, o programa resgatou 1.500 vítimas e prendeu 111 agressores por descumprimento de medidas protetivas. Delegada Ivalda Aleixo, do DHPP, reforça: “Mostramos que as mulheres não estão sozinhas; há acolhimento acessível para qualquer tipo de violência”.
A Polícia Civil intensifica patrulhamento em áreas de blocos e eventos, com foco em furtos, roubos e discriminação, enquanto a Operação M – Carnaval Seguro já prendeu 150 agressores em prévia do feriado.
Esquema estadual e impacto no interior e litoral
O esquema se estende a 645 municípios, com reforço em cidades turísticas como Ilhabela, Ubatuba, Santos e Campinas. No litoral, drones monitoram praias e acessos, enquanto no interior, PM e Civil combatem tráfico e furtos em festas regionais. A Operação Impacto, paralela, mobiliza tropas contra drogas, com megaoperacionais de 24 horas.
OAB-SP contribui com 368 advogadas voluntárias para orientação jurídica gratuita, atuando em blocos e Anhembi. A rede inclui Procon, Sabesp e concessionárias para lidar com alagamentos e energia.
Bilanço de pré-Carnaval e expectativas
No último fim de semana pré-feriado, ações resultaram em 23 prisões, 30 celulares apreendidos e flagrantes de estelionato e venda de bebidas adulteradas. Com 16,5 milhões nas ruas e 350 mil no Anhembi, o esquema visa repetir sucessos de 2025, quando violência contra mulheres caiu 20%.
Coronel Lucena projeta: “Tecnologia, policiamento inteligente e acolhimento especializado garantem festa segura”. Para foliãs, o recado é claro: denúncias via 190 ou 180 têm resposta imediata, com prisão em flagrante e suporte integral.
O Carnaval 2026 em São Paulo, maior bloco de rua da América Latina, entra sob proteção reforçada, onde tecnologia e sensibilidade humana se unem para preservar a alegria sem abrir mão da segurança, especialmente para metade da população que historicamente sofre mais na folia.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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