

Prefeitura vai proibir parada de trios elétricos e liberar Praça Roosevelt para melhorar dispersão no Centro
Após os episódios de superlotação registrados no pré-carnaval do último domingo (8), na Rua da Consolação, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou mudanças na organização dos megablocos que desfilam pela região central da capital.
Segundo o prefeito, os caminhões de som não poderão mais fazer paradas durante o cortejo. A medida busca evitar concentração excessiva de foliões em um único ponto do trajeto, o que teria contribuído para os tumultos registrados durante as apresentações do DJ Calvin Harris e do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta.
“O caminhão não pode parar pra quem está lá embaixo não querer subir para acompanhar o som e causar tumulto. Eles têm que saber que o caminhão vai chegar lá. Na semana passada o caminhão ficou 1 hora e 40 parado”, afirmou Nunes, em entrevista no camarote da Prefeitura, no Anhembi.
Praça Roosevelt será liberada
Outra mudança anunciada é a retirada dos tapumes da Praça Roosevelt, que havia sido fechada no pré-carnaval. Segundo a Prefeitura, o objetivo é ampliar as rotas de fuga e facilitar o escoamento do público em caso de superlotação.
“Terminou o evento, a gente faz reunião de avaliação para ver onde foram os problemas. No domingo, o grande problema foi a paralisação do caminhão. A questão das rotas de saída, de liberar a Praça Roosevelt. A gente vai sempre olhando para melhorar”, declarou o prefeito.
A gestão municipal também informou que o circuito da Consolação ganhará novas rotas de dispersão para os próximos dias de carnaval e para o pós-carnaval, quando está previsto o desfile do bloco “Pipoca da Rainha”, da cantora Daniela Mercury.
Debate sobre gradis e segurança
Os tumultos reacenderam o debate sobre o modelo de organização adotado na capital, que utiliza gradis metálicos contínuos e corredores fechados para controlar o fluxo de foliões.
Uma nota técnica da Polícia Militar aponta que o uso de gradis pode ser importante para a preservação da ordem pública, desde que siga critérios técnicos rigorosos. Especialistas, no entanto, criticam o confinamento de multidões em espaços estreitos e a ausência de rotas laterais de escape.
A professora e pesquisadora de turismo urbano da USP, Mariana Aldrigui, destacou que altas densidades de público aumentam os riscos. “Seis pessoas por metro quadrado já é uma situação extremamente desconfortável. Se uma pessoa derrapa, a gente passa a ter pisoteamento”, afirmou.
Após os episódios, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito preliminar para apurar a superlotação e recomendou que a Prefeitura reavalie o planejamento e a fiscalização do uso de áreas públicas durante o carnaval.
Apesar das críticas, o prefeito avaliou que o pré-carnaval foi positivo e destacou o crescimento do evento na cidade. “Esse ano são 627 blocos. Cada ano a gente vai ter um número maior de pessoas e vai ter que se adequar na infraestrutura para acompanhar esse crescimento”, afirmou.
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