

Espetáculo dirigido por Cesar Ribeiro estreia no Teatro Paulo Eiró e dialoga com poesia, história e cultura pop
A poesia da vencedora do Nobel de Literatura Wislawa Szymborska é o ponto de partida de “Projeto Wislawa”, espetáculo que estreia nesta sexta-feira (6) no Teatro Paulo Eiró, na zona sul de São Paulo. Dirigida por Cesar Ribeiro, a peça investiga os sistemas de violência que atravessam a vida cotidiana, combinando ironia, tragicomédia e referências visuais inspiradas em histórias em quadrinhos.
Poesia como elo entre criação e destruição
Logo no início da montagem, dois objetos simbólicos dominam a cena: uma cadeira elétrica e um carrinho de bebê. A ligação entre eles se constrói por meio da obra de Szymborska, poeta conhecida por abordar acontecimentos históricos e tragédias humanas com linguagem aparentemente simples e olhar irônico.
“A ideia é unir a poesia do mundo com o teatro, estabelecendo um jogo permanente entre criação e destruição”, explica Cesar Ribeiro. A dramaturgia foi criada a partir de poemas da autora e dá continuidade à pesquisa do diretor sobre violência, intolerância e desumanização, agora sob um viés lúdico e tragicômico.
História, ironia e atualidade
A peça dialoga com eventos marcantes do século 20 e início do 21, desde a invasão da Polônia em 1939 até os atentados de 11 de Setembro de 2001. Entre os textos selecionados estão “Fotografia de 11 de Setembro” e “Primeira Foto de Hitler”, poema que reflete sobre a banalidade do mal ao retratar o futuro ditador ainda bebê.
Segundo Ribeiro, a poesia de Szymborska revela “a capacidade de coisas vivas matarem outras coisas vivas”, ao expor como escolhas banais podem produzir consequências devastadoras.
Fábula dentro da fábula
Com estética inspirada em HQs e desenhos animados, Projeto Wislawa apresenta uma narrativa fictícia sobre uma mulher condenada à morte por assassinar a própria poeta. A personagem é interpretada por Clara Carvalho, enquanto Vera Zimmermann declama os poemas ao longo da encenação.
A dramaturgia se organiza como capítulos de um livro, que vão perdendo linearidade à medida que a execução se aproxima. “É uma fábula dentro de outra fábula”, explica Ribeiro, que associa a personagem à ideia de matar a sensibilidade do mundo, em paralelo a regimes autoritários.
Estética e linguagem
O espetáculo utiliza projeções de filmes e fotografias históricas, além de trilha sonora eclética, que transita entre música clássica e eletrônica. Para Vera Zimmermann, a força da obra está na forma como Szymborska consegue revelar o mal “nas escolhas banais e na linguagem aparentemente inocente”.
O trabalho se insere na trajetória do diretor, que já realizou montagens como Projeto Clarice, Trilogia Kafka e Esperando Godot, sempre articulando pensamento crítico, rigor estético e acessibilidade de linguagem.
Serviço Projeto Wislawa
- Temporada: de 6/2 a 1º/3
- Horários: quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
- Sessão extra: 25/2 (quarta), às 20h
- Local: Teatro Paulo Eiró Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro
- Duração: 60 minutos
- Gênero: Tragicomédia
- Classificação: 12 anos
- Ingressos: R$ 20 (bilheteria 1h antes do espetáculo e online via Sympla)
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