

Longa dirigido por Mariana Rondón parte de episódio real em Caracas para refletir sobre colapso social, político e humanitário
Chega aos cinemas brasileiros nesta semana o filme Zafari, dirigido pela cineasta venezuelana Mariana Rondón. A produção utiliza a linguagem da distopia para abordar os impactos da crise econômica, política e humanitária da Venezuela, a partir de um episódio real ocorrido em Caracas: a morte de um hipopótamo em um zoológico da capital, em meio à escassez de alimentos.
Episódio real inspira narrativa ficcional
O ponto de partida do longa é o caso de um hipopótamo que morreu após semanas sem alimentação adequada no Zoológico de Caricuao, em Caracas. O episódio ganhou repercussão internacional à época e se tornou, para a diretora, um símbolo da deterioração das condições de vida no país.
A partir desse acontecimento, Zafari constrói uma narrativa ficcional que dialoga com a realidade venezuelana, transformando o fato em metáfora para a fome, o abandono institucional e a desigualdade social.
Trama e ambientação
O filme acompanha duas famílias de classes sociais distintas que vivem em prédios situados dentro de um pequeno zoológico urbano. Isoladas pela escassez de comida, água e energia elétrica, elas permanecem confinadas enquanto o Estado concentra seus esforços em manter vivo um novo hipopótamo recém-adquirido pelo parque — o único personagem da história que recebe alimentação regular.
A convivência forçada entre os grupos expõe tensões sociais, disputas de poder e estratégias de sobrevivência, em um ambiente marcado pela ausência de políticas públicas efetivas.
Violência cotidiana e crítica social
Ao longo da trama, a falta de recursos leva os personagens a comportamentos extremos, revelando como o colapso das estruturas sociais pode reduzir relações humanas a instintos básicos. A narrativa aborda temas como desumanização, autoritarismo e banalização da violência, sempre com uma abordagem que combina ironia e absurdo.
Segundo a diretora, o filme propõe um retrato de uma sociedade em que o Estado abdica de suas responsabilidades, empurrando os cidadãos para uma disputa permanente por sobrevivência.
Circulação internacional e chegada ao Brasil
Antes da estreia comercial no Brasil, Zafari foi exibido em festivais internacionais, como o Festival de San Sebastián e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, onde integrou a programação dedicada ao cinema autoral contemporâneo.
A produção é uma coprodução internacional entre sete países, com filmagens realizadas no Peru, México e República Dominicana, envolvendo também o uso de animais reais nas cenas ambientadas no zoológico.
Trajetória da diretora
Mariana Rondón deixou a Venezuela em 2015, em meio ao agravamento da crise política e econômica. Seu filme anterior, Pelo Malo, vencedor da Concha de Ouro em San Sebastián, já abordava aspectos da vida sob um regime autoritário e marcou sua projeção internacional.
Em Zafari, a diretora aprofunda a investigação sobre sobrevivência, deslocamento e colapso social, temas que atravessam também projetos recentes de sua filmografia.
Contexto do lançamento
- Estreia nacional em circuito comercial e salas de arte
- Filme dialoga com atualidade política e social latino-americana
- Produção independente com circulação internacional
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