

Vírus transmitido pelo Aedes é endêmico no Brasil e exige atenção contínua
A chikungunya é uma doença viral transmitida principalmente pela picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Endêmica no Brasil, a infecção costuma apresentar surtos mais intensos em períodos chuvosos e de calor, com maior incidência em áreas urbanas. Autoridades de saúde alertam que a prevenção segue sendo fundamental, mesmo com o avanço da vacinação.
Doença exige vigilância constante
Segundo Eolo Morandi, gestor médico do Instituto Butantan, a chikungunya permanece como um risco permanente no país.
“A doença é endêmica no Brasil, com surtos associados ao clima quente e chuvoso. Mesmo fora de grandes epidemias, o risco continua existindo”, afirma.
As mudanças climáticas, a urbanização acelerada e o aumento da circulação de pessoas favorecem a expansão global da doença.
Vacina contra a chikungunya
Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva.
O Governo de São Paulo iniciou, em fevereiro, um projeto-piloto de vacinação na cidade de Mirassol, no interior paulista. A estratégia nacional prevê a aplicação inicial em municípios selecionados pelo Ministério da Saúde, com base em critérios epidemiológicos e operacionais.
“A vacinação é essencial para conter surtos e reduzir o impacto da doença, mas não substitui o controle do mosquito”, reforça Morandi.
Como se proteger no dia a dia
Enquanto a vacina não está disponível para toda a população, a principal forma de prevenção continua sendo o combate ao mosquito transmissor. As recomendações incluem:
- Eliminar recipientes com água parada em vasos, pneus, garrafas e caixas d’água;
- Manter calhas limpas e quintais organizados;
- Usar repelente e roupas que cubram braços e pernas;
- Colaborar com ações de fiscalização e controle do vetor promovidas pelo poder público.
Grupos com maior risco de complicações
Recém-nascidos e idosos apresentam maior risco de desenvolver complicações, devido à imaturidade ou fragilidade do sistema imunológico. Estudos indicam ainda maior registro de casos entre mulheres, que representam cerca de 60% das notificações no Brasil.
Segundo o especialista, isso pode estar relacionado tanto a fatores biológicos quanto ao fato de que mulheres procuram mais os serviços de saúde, resultando em maior diagnóstico.
Diagnóstico e evolução
O diagnóstico pode ser clínico, baseado nos sintomas, ou laboratorial. Nos primeiros dias da infecção, é possível detectar o vírus por exame PCR. Após cerca de duas semanas, exames sorológicos identificam anticorpos.
A principal preocupação é a cronificação das dores articulares, que podem persistir por meses ou até anos, especialmente em pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças reumatológicas.
“Quando a dor se torna crônica, ela compromete a qualidade de vida e a capacidade laboral do paciente”, explica Morandi.
Situação no Brasil e no mundo
Dados recentes indicam que o Brasil concentra a maior parte dos casos de chikungunya nas Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. A Organização Mundial da Saúde alerta para o risco de uma epidemia global impulsionada pelas mudanças climáticas e pela expansão do mosquito para novas regiões.
Diferença entre chikungunya e dengue
Embora os sintomas iniciais sejam semelhantes aos da dengue, a chikungunya se diferencia pelas dores articulares intensas e prolongadas, que podem incapacitar o paciente por semanas ou meses.
“O nome chikungunya significa ‘aquilo que se curva’, em referência à postura causada pela dor intensa nas articulações”, explica o médico.
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