
O diretor húngaro Béla Tarr durante festival de Berlin, em 2023
ODD ANDERSEN / AFP
O cineasta húngaro Béla Tarr, de “Sátántangó” e “O Cavalo de Turim”, morreu nesta terça-feira (6) aos 70 anos. Segundo a Academia Europeia de Cinema, da qual o cineasta era membro,Tarr morreu “após uma longa e grave doença”.
“Lamentamos profundamente a perda de um diretor excepcional e uma personalidade com forte voz política, que não só era muito respeitado pelos seus colegas, como também era aclamado pelo público em todo o mundo. A família enlutada pede a compreensão da imprensa e do público e que não seja solicitada a fazer declarações nestes dias difíceis”, declarou a Academia Europeia de Cinema.
Reconhecido como um dos grandes nomes do cinema contemplativo, sombrio e melancólico, Béla Tarr construiu uma filmografia marcada por melancolia, visuais em preto e branco, com takes extensos.
Béla Tarr durante gravação de “O Cavalo de Turin”
Divulgação
Seu estilo rigoroso e austero o colocou entre os cineastas mais influentes do cinema de arte europeu.
Nascido em Pécs, na Hungria, em 1955, Tarr iniciou a carreira no estúdio experimental Balázs Béla. Após dirigir filmes como “Family Nest”, “Almanac of Fall” e “Damnation”, alcançou projeção internacional em 1994 com “Sátántangó”, épico em preto e branco de sete horas inspirado no romance homônimo de László Krasznahorkai (vencedor do Nobel de Literatura em 2025).
Apesar da duração, o filme é constantemente lembrado como uma das obras mais relevantes dos anos 1990 e é visto como uma referência fundamental do “cinema lento” contemporâneo.
A obra, que retrata o colapso do comunismo no Leste Europeu, consolidou a parceria entre diretor e escritor, repetida depois em “Harmonias de Werckmeister” (2000), adaptação de “A melancolia da resistência”.
Seu último longa, “O Cavalo de Turim” (2011), também escrito com Krasznahorkai, é considerado seu trabalho mais sombrio e definitivo. O filme remete à lenda sobre o colapso mental de Friedrich Nietzsche e acompanha a rotina exaustiva de um homem e sua filha.
Aclamado pela crítica, venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Após a estreia, Tarr anunciou a aposentadoria, mudou-se para Sarajevo e fundou a escola film.factory.
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