Com 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, a Venezuela ocupa o topo do ranking global de petróleo – à frente de Arábia Saudita e Irã – e volta a ser peça-chave da geopolítica internacional após o ataque dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro. A dimensão estratégica dessa riqueza é amplificada por um dado central: cerca de 80% do petróleo venezuelano hoje é exportado para a China, o que transforma o país em um dos pontos mais sensíveis da disputa entre Washington e Pequim.
A economia venezuelana gira quase exclusivamente em torno do petróleo. O setor responde por 88% das receitas de exportação, estimadas em US$ 24 bilhões, e concentra aproximadamente 17% das reservas mundiais conhecidas. Trata-se de uma dependência extrema, construída ao longo de décadas, que deixou o país vulnerável a choques políticos, sanções internacionais e ao colapso da estatal PDVSA, cuja produção despencou com a perda de capacidade técnica e o sucateamento da infraestrutura.
Mesmo operando muito abaixo do potencial, o petróleo da Venezuela continua encontrando mercado, sobretudo na Ásia. A China se tornou o principal destino das exportações venezuelanas, muitas vezes por meio de intermediários e acordos financeiros complexos, desenhados para contornar restrições impostas pelos Estados Unidos.
É nesse contexto que ganham peso as declarações do presidente Donald Trump após a ofensiva militar. Trump afirmou que pretende administrar a Venezuela de forma interina por tempo indeterminado, anunciou a entrada de grandes petroleiras norte-americanas no país e prometeu ampliar o domínio americano no hemisfério ocidental. “Vamos fazer o petróleo fluir”, disse, ao defender que empresas dos EUA invistam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura petrolífera, hoje em estado precário, e transformar novamente o setor em uma fonte de lucro. O presidente americano também acusou governos venezuelanos de terem se apropriado à força de uma indústria que, segundo ele, foi construída com capital e know-how dos Estados Unidos.
A queda de Maduro não resolve o dilema estrutural da Venezuela. O país segue preso ao paradoxo de possuir a maior riqueza petrolífera do planeta e, ao mesmo tempo, enfrentar pobreza, colapso institucional e dependência externa. Com o petróleo no centro da disputa entre as maiores potências globais, o futuro venezuelano passa menos por sua abundância de recursos e mais por quem, e sob quais regras, controlará essa riqueza.
Maiores reservas de petróleo do mundo
(em bilhões de barris)
Venezuela: 303 bilhões (maior reserva global)
Arábia Saudita: 267 bilhões
Irã: 208 bilhões
Canadá: 159 bilhões
Iraque: 145 bilhões
Fonte: Oil & Gas Journal

