A morte de um idoso após duas cirurgias no Hospital Municipal de João Pinheiro, no interior de Minas Gerais, passou a ser investigada após a família acusar a unidade de saúde de ter esquecido uma pinça cirúrgica dentro do corpo do paciente. Manoel Cardoso de Brito morreu no dia 24 de dezembro, véspera do Natal e um dia antes de completar 69 anos. Segundo relato da família, a suspeita de erro médico só veio à tona após o óbito. O filho do paciente, Samuel Cardoso Rezende de Brito, 31, afirma que recebeu uma denúncia de que um objeto teria sido deixado no corpo do pai durante a primeira cirurgia e tentou ter acesso às tomografias realizadas antes e depois do procedimento, mas diz que o hospital negou a entrega dos exames. “Antes de meu pai vir a óbito, eu recebi uma chamada de uma fonte segura que tinha falado para mim que, supostamente, tinham esquecido uma tesoura dentro do meu pai. Mas até então eu não acreditava. Aí essa pessoa falou para eu ir lá e pedir a tomografia, de antes e depois da cirurgia do meu pai pra saber. Eu fui verbalmente pedir e até hoje não entregaram o laudo”. De acordo com o boletim de ocorrência, Manoel deu entrada no hospital no dia 5 de dezembro, encaminhado pela UPA, com diagnóstico de úlcera gástrica. Ele passou por uma cirurgia de urgência, ficou dois dias na UTI e depois foi transferido para o quarto. Durante a internação, familiares relataram piora no estado de saúde, com dores, dificuldade para se alimentar e sonolência excessiva. No dia 11 de dezembro, uma tomografia foi realizada e, pouco depois, o paciente foi levado para uma segunda cirurgia. Segundo a família, o procedimento ocorreu sem explicações detalhadas e sem autorização formal. Após a nova intervenção, Manoel voltou para a UTI, onde permaneceu internado por 13 dias, até morrer. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro confirmou que um corpo estranho foi retirado durante a cirurgia, mas afirmou que o paciente apresentava estado clínico grave, com diversas comorbidades, como cardiopatia, diabetes, arritmia cardíaca e sequelas de AVC. A pasta informou ainda que o caso foi registrado como evento adverso, que os protocolos de segurança foram reforçados e que foi instaurada sindicância para apuração rigorosa dos fatos, com comunicação à ANVISA. A secretaria declarou solidariedade à família e afirmou que permanece à disposição para prestar esclarecimentos. O hospital não se manifestou especificamente sobre a negativa de acesso aos exames solicitados pelos familiares. O caso segue sob apuração administrativa, e a família afirma que busca esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e a conduta adotada pela equipe médica.
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